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O Brasil recebeu um prêmio por suas ações ambientais dos últimos anos. Mais especificamente uma menção “desonrosa” no “antiprêmio” Fóssil do Ano, uma tradição irônica das conferências climáticas. O anúncio ocorreu nesta sexta (18) na COP27, a conferência da ONU para mudanças climáticas.
“As políticas antiambientais do governo Bolsonaro, que está de saída, fizeram o Brasil aumentar suas emissões por quatro anos consecutivos”, disse o apresentador, que usava máscara e um terno com estampa de esqueleto.
“Apesar de os ventos que parecem estar mudando no Brasil, não podemos deixar para lá os danos causados. Adeus e boa viagem para Bolsonaro e seu desastre climático.”
O público vaiou quando o nome do presidente Jair Bolsonaro (PL) foi mencionado.
O prêmio Fóssil do Ano é concedido desde 1999 pela CAN (Climate Action Network), uma rede internacional de organizações da sociedade civil.
Durante a entrega da menção desonrosa, foram lembrados os crescentes números de desmatamento no Brasil e o consequente aumento das emissões de gases do efeito estufa no país. O desmate, especialmente na Amazônia, é a principal fonte de emissões do Brasil.
A outra menção desonrosa ficou com a Rússia, que vem se mantendo, de modo suspeito, muito quieta na COP27″, disse o apresentador, citando, em seguida, dezenas de lobistas de combustíveis fósseis na delegação russa.
O país também foi citado por, segundo os organizadores do prêmio, defender a ideia de que energia não faça parte das decisões da conferência, considerando que “as negociações são sobre mudança climática, não sobre energia”.
O problema, logicamente, é que os dois assuntos estão interligados, considerando que, em geral, as emissões do país estão relacionadas à produção energética.
Mas o grande antiprêmio da noite, o Fóssil Colossal do Ano, ficou com os Estados Unidos, especialmente pelo posicionamento contrário à criação de um fundo para perdas e danos direcionado a países em desenvolvimento, que sofrem com desastres climáticos.
Foi citado, inclusive, o plano de transição energética (chamado de Energy Transition Accelerator, ou acelerador de transição de energia, em tradução livre) baseado em créditos de carbono. A ideia foi anunciada por John Kerry, o enviado especial para o clima dos EUA.
O antiprêmio foi recebido por um homem de bigode com um boné vermelho onde se lia “Make Fossils Great Again” (algo como “faça os combustíveis fósseis grandes de novo), que fez menção ao boné “Make America Great Again” popularizado pelo ex-presidente americano Donald Trump.
O homem subiu no pódio enquanto gritava, ironicamente, “USA, USA”.
O Brasil também já recebeu, uma vez, o Fóssil do Ano. O antiprêmio veio na COP25, em Madri, na Espanha –conferência que, a pedido de Bolsonaro, não ocorreu no Brasil.
Na COP26, em Glasgow, Reino Unido, o Fóssil do Ano ficou com a Austrália.
O projeto Planeta em Transe é apoiado pela Open Society Foundations.
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