A ex-vereadora Enelinda Scala – professora aposentada da UFMT e uma das dirigentes históricas do Partido dos Trabalhadores de Cuiabá -, fez uma visita surpresa nesta última terça-feira (26), na Câmara Municipal de Cuiabá, como forma de se solidarizar com as vereadoras Edna Sampaio (PT) e Maysa Leão (Republicanos). Ao apontar que as duas parlamentares municipais estariam sendo alvo de injustiças.
À jornalistas, Scala elogiou o trabalho das parlamentares e pontuou que a desigualdade no Brasil entre homens e mulheres deve acabar. “É com muito prazer que falo para todas as famílias cuiabanas e mato-grossenses que, hoje, vim aqui na Câmara para realizar uma surpresa para minhas duas queridas vereadoras por não aguentar a injustiça que as duas estão sofrendo”.
Ao lembrar do esforço hérculeo da vereadora petista, Edna Sampaio de vencer s dificuldades impostas pela vida para chegar onde chegou, já que seria de família humilde e que se supostamente a parlamentar errou a Justiça, no seu tempo certo, vai apontar.
“Edna é uma pessoa grandiosa. Se vocês olharem a vida dela vão observar uma vida de lutas, de uma família humilde e que precisou realizar um esforço enorme para chegar na formação que buscou. E, hoje, está aí servindo a população. Nós precisamos dessas vereadoras compromissadas com o bem-estar da nossa população e lembrarmos que o Brasil está em segundo lugar no mundo em desigualdade”.
A parlamentar petista está sendo investigada em um processo disciplinar na Comissão de Ética da Câmara, por suposta rachadinha em seu gabinete, quando teria recebido R$ 20 mil de Verba Indenizatória (VI), repassada pela sua ex-chefe de gabinete, Laura Abreu, para quitar despesas do seu mandato coletivo. Mas no final da semana passada, a vereadora pode, contudo, comemorar uma reviravolta em seu caso, após o juiz da Terceira Vara da Fazenda Pública de Cuiabá, Agamenon Alcântara exigir que a Comissão de Ética retome as oitivas e ouça as quatro testemunhas apresentadas pela defesa da vereadora petista, o que foi negado pelos membros da Comissão antes do relatório final ser apresentado. E ainda que seja feito um novo relatório, para que em fase posterior ele seja apresentado em plenário.
No caso da vereadora republicana, a ex-vereadora Enelinda optou em não citar o nome do deputado bolsonarista Gilberto Cattani(PL), ao sair em defesa de Maysa Leão. Mas assegurou que a família cuiabana não aceita que homens desrespeitem suas mulheres. E que Maysa estaria sendo ‘vítima de uma pessoa que tem atacado as mulheres tanto na Assembleia Legislativa como em outros espaços’.
“Esta pessoa deve ter sido muito mal amada porque quem é bem amado respeita as famílias, as mulheres. A família cuiabana não gosta de gente que desrespeita as mulheres, que são agressivas, que falam das pessoas sem fundamento, pois isso seria uma injustiça”.
Maysa e o Cattani protagonizam um enfrentamento histórico por conta de postagem feita pelo bolsonarista em seu Instagram. A republicana alega que o deputado, ao postar um recorte de 90 segundos de um diálogo que durou mais de 1 hora, no Cast do Bom, no site O Bom da Notícia, ocorrido no dia 10 de agosto, ele supostamente ‘teria incitado seus seguidores ao crime de ódio e violência política de gênero’. Ao pedir que seguidores comentassem seu posicionamento a favor da castração[retirada] do membro de homens que cometem crime de estupro. Em cujo recorte a vereadora disse sobre a necessidade de mais estudos sobre o caso, porque a justiça julga seres humanos, assim, com cuidado para que as ‘punições não remetam a humanidade à barbárie e aos tempos medievais’.
A postagem nas redes sociais recebeu vários comentários, dentre eles vários desejos de que a vereadora deveria ser estuprada para não defender bandido. ‘De que se ela, sua filha e mãe fossem estupradas, amarradas e retalhadas, ela não pensaria assim’. Ao demonstrar que o conteúdo gerou um entendimento equivocado nos internautas de que a vereadora seria uma defensora de estupradores.
Já para Cattani, ele estaria sendo alvo de mentiras, ao garantir que sempre defendeu as mulheres e que prova disto é o seu projeto de lei nº 347/2022 que objetiva que mulheres sob medida protetiva decretada por ordem judicial possam portar arma de fogo, como forma de garantir condições de defender suas próprias vidas.
‘Ex-vereadora é uma inspiração’
Tanto Edna quanto Maysa agradeceram o apoio de Enelinda, lembrando das dificuldades que passam, na atualidade, as mulheres que buscam a ambiência política, pois têm sido vítimas constantes de violência política de gênero.
Ao ainda lembrarem que a trajetória política e profissional de Enelinda sempre serviram de inspiração às mulheres que buscam garantir presença nos espaços de poder.
Fonte: O Bom da Notícia

