Em entrevista, nesta terça-feira (10), o vice-prefeito de Cuiabá, José Roberto Stopa (PV) criticou a atuação do Judiciário, ao apontar operações policiais realizadas sob a anuência da Justiça, amplamente divulgadas pelos veículos de comunicação e que, mais tarde, após análises mais aprofundadas são arquivadas por falta de provas.
Mas para Stopa, quando elas ocorreram, deixaram danos incalculáveis nas vidas das pessoas envolvidas, pela devassa feita mas, sobretudo, pela desconstrução da imagem destes envolvidos que tiveram suas vidas colocadas ao escrutínio público.
A declaração do vice-prefeito e secretário de Obras Publicas da capital foi dada em resposta ao questionamento sobre as 18 operações policiais durante a gestão Emanuel Pinheiro (MDB), 14 delas na Secretaria de Saúde da Capital. A última deflagrada pela Polícia Federal no dia quatro de outubro, a Operação Iterum que mirou suposto desvio de recursos na Saúde de Cuiabá, com prejuízo aos cofres públicos estimados em R$13,3 milhões.
“Eu acho que o Ministério Público, o Judiciário têm que ser mais competente ao determinar as operações policiais. E quando determinarem tem que fazer e acontecer. Porque hoje, por exemplo, eu abro o jornla e está lá que a operação que investigava os semáforos inteligentes em Cuiabá[Operação Sinal Vermelho], que afastou o Antenor[Antenor de Figueiredo na época secretário de Mobilidade Urbana] não deu em nada. Mas aí o secretário foi afastado, e a vida dele foi ferrada. Assim, na minha opinião, o Congresso nacional tinha que também olhar o Judiciário pois ele também teria que se responsabilizar pelas suas atrapalhadas, pelos danos causados por estas operações. Eu sou a favor das investigações e que os culpados sejam punidos ao rigor da lei. E acredito, inclusive, que precisamos de ter uma legislação firme para quem faz coisas erradas, mas é necessário cuidado com estas operações pode se a gente observar é o que mais tem todos os dias, é só ligar a televisão”, disse.
Stopa se referiu mais, pontualmente, à decisão do Ministério Público de Mato Grosso que solicitou o arquivamento do inquérito que resultou na Operação Sinal Vermelho, da Polícia Civil de Mato Grosso, que apurava possíveis irregularidades na licitação de R$ 15,4 milhões para aquisição de semáforos inteligentes em Cuiabá. Ela foi deflagrada no dia 5 de maio de 2021 pela Polícia Civil e o secretário da Semob, Antenor de Figueiredo, afastado do cargo pela juíza Ana Cristina Silva Mendes, da 7º Vara Criminal de Cuiabá.
No despacho do último dia 4 de outubro, o promotor de Justiça, Marco Aurélio de Castro, afirma que após uma análise detalhada dos documentos e informações constantes nos autos, e das diligências realizadas, não se verificou a existência de prática de atos atentatórios à probidade administrativa ‘aptos a ensejarem a propositura de eventual ação civil’.
Com 41 anos de de serviço público e em diversos postos de gestão, Stopa ainda pontuou que – em meio a esta verdadeira ‘caça às bruxas’ -, sua vida pública estaria à disposição pois ela sempre foi um livro aberto. Ao garantir que nestas quatro décadas e tendo passado por gestões diferentes, em todo esse período nunca foi alvo de investigação.
“Minha vida pública é um livro aberto nesses 41 anos se quiser olhar está lá disponível. Eu já ocupei basicamente todos os cargos que uma pessoa pode ocupar na vida pública nesses 41 anos. Assim, quando me perguntam sobre operações eu aponto que cada um responde pelo seu CPF, eu tenho o meu e posso responder pelo tempo que eu fiquei em cada secretaria”, acrescentou.
A entrevistadesta terça contou ainda com a presença do respeitado jornalista Onofre Ribeiro, fazendo parte da bancada ao lado da editora-chefe do site, Marisa Batalha.
Fonte: O Bom da Notícia

